terça-feira, 14 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Crise social do padrão mundializado de combinação mista (industrial e Agrícola)
A combinação que caracterizou os países industrializados, integrantes da chamada “idade de ouro” do capitalismo do Pós-Guerra, até meados dos anos 70, baseou-se em uma noção de desenvolvimento, pautado na razão instrumental. Implicou em ações que promoveram a aceleração do crescimento econômico, com a ciência e tecnologia aplicada à produção, vinculando-se à idéia de progresso e recursos naturais ilimitados. Resultou na adoção de padrões predatórios de utilização dos recursos naturais. Os ciclos de produção industrial, desse padrão de organização socioeconômico e político, apresentaram um forte descompasso em relação aos ciclos de reprodução dos recursos extraídos do ambiente natural, implicando em um volume de degradação ambiental crescente, causado pelo desequilíbrio entre os dois ciclos. Essa desarmonia entre as duas dimensões da realidade tornou-se expressão da incoerência das interações estabelecidas. Nesse padrão organizativo, a desintegração da estrutura da dimensão do ambiente natural passou a ser mais rápida que seu processo de reconstituição, ameaçando a vida do sistema, como totalidade. Por outro lado, esse modelo capitalista, de tendência uniformizou no mundo, tem proporcionado uma estrutura desigual no acesso e distribuição dos recursos no planeta, ampliando as desigualdades sociais e aprofundando o fosso já existente entre países ricos e pobres. Por outro lado, os relatórios mundiais sobre o Desenvolvimento Humano dos últimos anos, vêm apontando indicadores de exclusão social, segregação espacial, pobreza endêmica e mesmo a existência de populações sem teto, também nos países industrializados. Essa crise social que afeta hoje, também os países industriais, é chamada por Ignacy Sachs de terceiro-mundialização, segundo ele, provocado tanto pelo padrão tecnológico da Terceira Revolução Industrial, como pela “bolha financeira”, fenômeno do desvio do capital financeiro do investimento produtivo para o investimento especulativo. Para outros, a terceiro-mundialização decorre de fenômenos de concentração de renda, desemprego e uma crescente exclusão nos países centrais, sobretudo com o desmonte do Welfare State. Enfim, o que se pode observar é a humanidade do mundo todo se encontra ameaçada por essa incoerência do modelo e princípios de funcionamento da dimensão econômica do sistema-mundo.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Local e meio das unidades complexas
O sistema terrestre apresenta um padrão de ordem, manifestado pela estrutura, da qual fazem parte as várias subunidades, que se constroem e se relacionam criando campos de interação. Nesse macro-organismo vivo, portanto, a noção importante a ser construída para se compreender suas micro-estruturas de análise, vistas como totalidades multidimensionais, conforme já enunciava André Cholley, desde 1948, é a de “combinação de complexo”. A combinação de complexo constitui a manifestação da combinação do conjunto da totalidade de elementos convergentes da realidade, em uma porção precisa da superfície terrestre, passível de ser identificada como unidade. Se expressa por fenômenos de convergência em campos interativos distintos, manifestando-se como ordem de complexidade, nas múltiplas dimensões e escalas de organização do planeta. É preciso compreender que a textura complexa de uma combinação, vista como subsistema do planeta, sempre apresenta uma localização específica, uma vez que a convergência de variáveis ocorre em um determinado plano de contato da superfície terrestre. Esse plano de contato constitui, o “local” da manifestação resultante dessa combinação. Assim, por exemplo, o vento que atinge um determinado plano de contato da superfície terrestre, sofre modificações, ao se combinar com a umidade e temperatura dadas pelas condições do local, em função da interação ali existente com as outras variáveis convergentes. Ao mesmo tempo, essa massa de ar em movimento contribui para modificar as outras variáveis, seja da dimensão biológica ou humana. Essas combinações atribuem características particulares ao local de manifestação. A individualidade local e da vida que o anima resultam, do modo pelo qual se agrupam se superpõem ou interagem as diferentes combinações. As variáveis integrantes dessa complexidade podem ser mais bem compreendidas, nas modalidades impostas por sua ação combinada. Assim, a forma de um relevo emerge da ação convergente de variáveis geológicas, hidrológicas e climáticas, como também sofre interferências de fatores biológicos e sociais. Da mesma forma, para se interpretar o fenômeno econômico, não se pode abordá-lo como simples abstração, sob pena de se transformá-lo em falsa individualidade, por estar fora de uma combinação localizada. O fenômeno econômico, como os outros (sociais, biológicos e físicos), é sempre expressão da coerência estabelecida nessa combinação de variáveis sociais, políticas, biológicas e mesmo físicas. O local de manifestação das variáveis convergentes apresenta existência objetiva, portanto, é constituído de estrutura e corporalidade. Retrata a ordem da maneira como tais variáveis se ligam e se relacionam. Portanto, o local é o construto formal das interações que incidem naquele plano de contato e constitui sua unidade estrutural, ou seja, a forma física da combinação, podendo ser delimitado, mapeado e observado. Os limites de um local, não só mantém a coerência da integração, como funcionam como interface de trocas de energia entre o "espaço interno" e o ambiente externo da unidade. Mas, a combinação também contribui para dar origem, no local de sua manifestação, a um “meio” particular, ou “ambiente”, expresso pelo campo das interações estabelecidas no plano de contato e desse com seu ambiente externo. O meio é o conteúdo da forma, interage com ela e por se tratar de rede de interações em movimento, responde pelo dinamismo da unidade. Assim o meio é o conteúdo (a energia) e o local a forma (a matéria) de cada unidade da superfície terrestre. O meio exprime o conjunto das condições oferecidas pelo local e serve de quadro de manifestação da vida ali existente. Como combinação em movimento, o meio manifesta tanto capacidade de se transformar internamente, como de alterar o ambiente no qual se insere, pois mantém relações dialéticas constantes com a sua forma e conexões com o ambiente no qual se insere. Nesse sentido, a análise da sustentabilidade implica, sobretudo, em uma abordagem local das várias combinações existentes na complexa estrutura do mundo. As combinações de interesse da análise da sustentabilidade local são aquelas intervenientes na totalidade do sistema e que dão origem a meios relativamente estáveis, duráveis ou de renovação periódica. Essas características espaço-temporal dependem do padrão de comportamento dos elementos convergentes no conjunto das interações. Sendo assim, uma combinação que tenha um caráter excepcional ou irregular, pode até conduzir o local a graves conseqüências, provocando verdadeiras catástrofes, entretanto, sem contribuir para a criação de um meio verdadeiro, por não assumir um caráter estável ou se manifestar periodicamente. Da mesma forma, combinações que só interessam a um indivíduo ou a uma categoria de variáveis, pouco contribuem para a caracterização da ordem que mantém do sistema.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O papel atual das ciências na compreensão da complexidade
Todas as ciências buscam a compreensão da complexa estrutura da realidade, via de regra, decompondo as combinações em seus elementos mais simples. A atitude diferencial exigida atualmente, para essa interpretação e que a Geografia tem elegido como seu enfoque específico, diferencia-se em dois princípios. O primeiro é o de tomar como objeto de análise, a manifestação da totalidade da complexidade, do ponto de vista multidimensional e multiescalar. Portanto, não se trata de aqui, de analisar apenas as interações de variáveis de uma ou algumas das dimensões da natureza (cultural ou biológica, por exemplo), mas da totalidade de variáveis convergentes em um dado plano de contato da superfície terrestre. A complexidade da unidade de análise abrange, ao mesmo tempo, todas as dimensões da vida (humana, social, física, biológica, cultural, política), assim como suas interações com as ordens de outras escalas. O segundo é o de não tentar entender esse campo de interações, decompondo seus elementos para analisá-los em suas particularidades. Na análise sistêmica o enfoque não deve se voltar para o entendimento de seus elementos, e sim para as relações estabelecidas entre eles. As propriedades estão nas relações. É importante, nesse sentido, desvendar quais são os princípios básicos de organização da totalidade constituída pela combinação. De fato, as propriedades de um sistema, como totalidade integrada, conforme aponta Fritijof Capra, não podem ser reduzidas às propriedades das unidades menores. Entretanto, a Geografia não é a única ciência responsável por essa nova visão e abordagem do complexo planetário, na busca de soluções de sustentabilidade. Há necessidade de se avançar no princípio interdisciplinar da ciência, para que se possa melhor identificar a multiplicidade dos subsistemas integrantes da organização planetária, reconhecendo-se as características e princípios de funcionamento dessas combinações, em suas interações com a própria totalidade e com as unidades de outras escalas hierárquicas.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Desafios da sustentabilidade no atual sistema-mundo: a complexidade
Desafios da sustentabilidade no atual sistema-mundo: a complexidade
Por trás da ordem estabelecida no universo, existe uma necessidade inerente de existir, por meio da criação de estruturas complexas, obtidas por combinações e conexões entre unidades diversas, em várias escalas de organização. Esse impulso criativo manifesta-se desde o mundo subatômico até o nível planetário e mesmo além dele, podendo-se saltar, por meio de combinações, dos elementos inertes aos seres vivos e o da vida à vida inteligente. Esse impulso tem como princípio a economia das estruturas ligadas, pois juntos os elementos da natureza conseguem minimizar a energia necessária para se autopreservar. A capacidade de gerar energia pela interação mútua (interativa/ cooperativa) é o que de fato distingue um sistema do outro. A complexidade dessa realidade relacional do mundo constitui-se da superposição de diversos campos de interações sociais, assim como de suas conexões com a natureza. O entendimento desse complexo multidimensional e multiescalar implicam em aprender a captar “o que está tecido em conjunto”. E a textura de uma rede muito intrincada, resultante da combinação de muitas variáveis, integrantes de diferentes dimensões da realidade, pode ser mais bem observada e avaliada, nas pequenas escalas de organização. A sustentabilidade vai depender da coerência estabelecida na ordem dessa integração, tanto interna, como nas interações que essa unidade apresente com outras escalas de organização, para a geração de condições ou propriedades favoráveis à manutenção da vida ali existente. A sustentabilidade é a força motriz do desenvolvimento do sistema e ela depende, portanto, da lógica coerente de seu metabolismo, ou seja, dos fluxos estabelecidos de materiais e energia. É importante, nesse processo, saber, portanto, o que o sistema importa, assimila e reserva para manter em funcionamento sua organização, como também o que o que exporta.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Sustentabilidade Ambiental
A sustentabilidade é um ideal sistemático que se perfaz principalmente pela ação, e pela constante busca entre desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo preservação do ecossistema. Podem-se citar medidas que estão no centro da questão da sustentabilidade ambiental: a aquisição de medidas que sejam realistas para os setores das atividades humanas.
Os pontos elementares da sustentabilidade visam à própria sobrevivência no planeta, tanto no presente quanto no futuro. Esses princípios são: utilização de fontes energéticas que sejam renováveis, em detrimento das não renováveis.
Pode-se exemplificar esse conceito com a medida e com o investimento que vem sido adotado no Brasil com relação ao biocombustível, que por mais que não tenha mínina autonomia para substituir o petróleo, ao menos visa reduzir seus usos. O segundo princípio refere-se ao uso moderado de toda e qualquer fonte renovável, nunca extrapolando o que ela pode render. Em um quadro mais geral, pode-se fundamentar a sustentabilidade ambiental como um meio de amenizar (a curto e longo prazo simultaneamente) os danos provocados no passado. A sustentabilidade ambiental também se correlaciona com os outros diversos setores da atividade humana, como oindustrial, por exemplo.
A sua aplicação pode ser feita em diversos níveis: a adoção de fonte de energias limpas está entre as preocupações centrais, algumas empresas tem desenvolvidos projetos de sustentabilidade voltando-se para aproveitamento do gás liberado em aterros sanitários, dando energia para populações que habitam proximamente a esses locais. Outro exemplo de sua aplicação está em empresas, como algumas brasileiras de cosméticos, que objetivam a extração cem por cento renováveis de seus produtos. O replantio de áreas degradadas, assim como a elaboração de projetos que visem áreas áridas e com acentuada urgência de tratamento são mais exemplos que já vêm sido tomados.
Pode-se afirmar que as medidas estatais corroboram perceptivelmente com a sustentabilidade ambiental. Sendo necessário não apenas um investimento capital em tecnologias que viabilizem a extração e o desenvolvimento sustentável, mas também conta com atitudes sistemáticas em diversos órgãos sociais e políticos. Como por exemplo, a propaganda, a educação e a lei.
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